Sujeito do desejo?
O sujeito é um fenônemo. Um continum que aparece e desaparece no discurso, seja ele exteriorizado ou não. Um flash discursivo contínuo amarrado a um vir-a-ser. Como as chapas de um filme que, reproduzidos seguidamente e a uma certa velocidade, dão uma aparência de algo inteiro e não fragmentado, de algo existente, com início, meio e fim. Engodo. Engodo dos sentidos.
Mas que sentido há nisso? Qual é a cadeia de significantes que da ordem a tudo isso? A cadeia que se estrutura a partir da relação com o corpo e com o discurso do Outro. Linguagem corporal e linguagem verbal que organizam a passagem do Real ao simbólico.
Um nome e uma forma, apenas. A ignorância do numenum dando origem à apreensão dualista de natureza simbólica. Na origem, apenas aquilo que, na psicanálise, ganhou a alcunha de "terror sem nome": o vazio. E daí, o que se toma como existente, está sempre aprisionado (i) pela fuga do que não se conhece e se teme conhecer - a morte desse sujeito da ilusão - e (ii) pelo campo da linguagem, sempre limitada, sempre incapaz de dizer o indizível.
O eu e o Outro. Esse Outro sou eu quem construo mas, de certa forma e até um certo limite, é ele que me constrói. Pura ilusão. Até que alguém consiga se aperceber dessa confusão estruturante o "sujeito-sintoma" já está estruturado.
A psicanálise entende ser possível resignificar seus conteúdos de forma a tornar suportável a miséria de nossa existência. Sua eficácia permite que o sujeito lide melhor com os fenômenos e as decorrentes emoções perturbadoras. E, como consequência inegável, contribuirá para suas condições de existência(s). Tudo isso é de grande valia.
O desejo é uma estrutura dada quase que aprioristicamente para a manifestação dessa existência miserável. Ou seja, daquela ignorância passamos à relação dual e ao grande paradoxo que é a aspiração de retornar à "unidade". A vida só é possível na união e, assim, o desejo de natureza libidinal é a marca fundamental impressa no ser humano (seja ele gozo ou, na clausura do campo ético, desejo propriamente dito). Mas para aí. Duas grandes verdades. (i) o sujeito é a expressão do "sintoma", assim como descreve Lacan ao tratar do significado da obra "Finnegans Wake" em relação ao seu autor, James Joyce; ele é a própria manifestação de um espaço universal de natureza patológica que, inevitavelmente, sofre, se não por qualquer outra razão, que seja simplesmente pela infalibilidade da morte e (ii) a origem dessa condição miserável é o desejo, que torna a vida possível, que torna a morte inescapável.
Mas e quanto a esse desejo, seria possível ultrapassá-lo?
Mas que sentido há nisso? Qual é a cadeia de significantes que da ordem a tudo isso? A cadeia que se estrutura a partir da relação com o corpo e com o discurso do Outro. Linguagem corporal e linguagem verbal que organizam a passagem do Real ao simbólico.
Um nome e uma forma, apenas. A ignorância do numenum dando origem à apreensão dualista de natureza simbólica. Na origem, apenas aquilo que, na psicanálise, ganhou a alcunha de "terror sem nome": o vazio. E daí, o que se toma como existente, está sempre aprisionado (i) pela fuga do que não se conhece e se teme conhecer - a morte desse sujeito da ilusão - e (ii) pelo campo da linguagem, sempre limitada, sempre incapaz de dizer o indizível.
O eu e o Outro. Esse Outro sou eu quem construo mas, de certa forma e até um certo limite, é ele que me constrói. Pura ilusão. Até que alguém consiga se aperceber dessa confusão estruturante o "sujeito-sintoma" já está estruturado.
A psicanálise entende ser possível resignificar seus conteúdos de forma a tornar suportável a miséria de nossa existência. Sua eficácia permite que o sujeito lide melhor com os fenômenos e as decorrentes emoções perturbadoras. E, como consequência inegável, contribuirá para suas condições de existência(s). Tudo isso é de grande valia.
O desejo é uma estrutura dada quase que aprioristicamente para a manifestação dessa existência miserável. Ou seja, daquela ignorância passamos à relação dual e ao grande paradoxo que é a aspiração de retornar à "unidade". A vida só é possível na união e, assim, o desejo de natureza libidinal é a marca fundamental impressa no ser humano (seja ele gozo ou, na clausura do campo ético, desejo propriamente dito). Mas para aí. Duas grandes verdades. (i) o sujeito é a expressão do "sintoma", assim como descreve Lacan ao tratar do significado da obra "Finnegans Wake" em relação ao seu autor, James Joyce; ele é a própria manifestação de um espaço universal de natureza patológica que, inevitavelmente, sofre, se não por qualquer outra razão, que seja simplesmente pela infalibilidade da morte e (ii) a origem dessa condição miserável é o desejo, que torna a vida possível, que torna a morte inescapável.
Mas e quanto a esse desejo, seria possível ultrapassá-lo?
Comentários
Obrigada pelo seu texto. Achei legal começar do básico, do início (que é o desejo).
Acho que precisamos mesmo ativar este espaço e é uma boa maneira de chacoalhar as idéias e discutí-las. Aqui poderemos fazer isso.
Um abração
Tina
Todo relato é uma narrativa e toda narrativa pressupõe o discurso: a fala; a voz. A fala da personagem; a fala do narrador e, a voz do pensamento da personagem, materializada pelo narrador. Pelo Outro. É o discurso do outro construído pelo eu e o eu construído pelo outro.
A linguagem é incapaz de dizer o indizível. E a língua? Não é ela que surge justamente para dizer o que antes era indizível? Para traduzir o mundo interior, mais do que nomear o exterior?
Que coincidência, Bruno...todos os meus questionamentos aqui...
Lindo texto. Desculpe os devaneios. São meros devaneios...
Bjo!
abrazos
É muito difícil em poucas palavras comentar um texto tão denso e rico. Por isso peguei esse trecho que foi o que mais gostei...
Acredito muito na coisa do Outro construir o Eu,sendo este Outro o sujeito do Inconsciente. E aí vem uma queda de braço sobre quem sobressai nesta luta. Aí eu acredito na força do Outro,quando o que foi recalcado começa a dar sinais de vida, a empurrar significantes para que venha surgir o que estava preso, obscuro, esquecido. Por isso não vamos subestimar a força do Outro, ele delineia o Eu, por vezes, tão imponente e dono de si.Acho que este Outro seria um mapa para a construção deste Eu.