Singularidade plural do ser-humano
"Porque será que insisto em temas complexos com títulos esquisitos? Tem sempre um sujeito em mim gritando por uma luz que descortine o mosaico colorido dos meus significantes. A percepção confusa das infinitas representações simbólicas caoticamente costuradas numa translúcida teia de estruturas fugazes de aparência sólida como uma miragem, a me levar por uma existência sem fim, implora por alguma compreensão".
Esse é o registro de um dos "meus sujeitos". Mas há outros: que desejam, que sentem, que sofrem, que agem, que tocam. Essa pluralidade de sujeitos me tornam um sujeito-sintoma singular. Um ser-humano singular.
Em geral, somos singulares pela pluralidade que nos estrutura. Pelas afetos produzidos ao longo de toda nossa existência, pelas escolhas que fazemos e deixamos de fazer, pela multiplicidade do discurso do outro que atua de maneira recíproca entre os interlocutores envolvidos, pela interdependência de todos os fenônemos que percebemos.
Mas isso pode deixar o leitor confuso. "Se eu sou vários sujeitos, existe algum entre eles que se sobressai em relação aos demais? Existe um sujeito-referência, em torno do qual os demais gravitariam?" Claro! O sujeito contido no discurso deste exato instante. Esse sujeito é construído a cada instante e a cada escolha. Ele é a expressão discursiva produzida pelo corpo, palavra ou mente nesse exato instante, nem antes, nem depois. De certa forma, somente ele existe (ex-sistere: ser para o outro). Os outros são (são para si). O primeiro é ontológico, os demais são ônticos.
No divã, o psicanalista interage com o sujeito da psicanálise, por meio da sua técnica. Esse sujeito é o produto daquele instante discursivo, naquele contexto. Ele é um fenômeno de natureza psicanalítica, parecido com um tricot feito a quatro mãos", uma vez que sua rede de significantes é tecida por meio do discurso de ambos, analista e analisando. Para esse sujeito não existem fórmulas prontas e soluções pré-fabricadas. Sua análise é individual e específica, pois ele é a expressão da singularidade discursiva do ser-humano singular deitado no divã naquele instante.
A riqueza do ser-humano singular está no caráter plural de suas possibilidades, pois a natureza do seu discurso revela um potencial aberto e criativo, inerente a infinitude deste instante.
Esse é o registro de um dos "meus sujeitos". Mas há outros: que desejam, que sentem, que sofrem, que agem, que tocam. Essa pluralidade de sujeitos me tornam um sujeito-sintoma singular. Um ser-humano singular.
Em geral, somos singulares pela pluralidade que nos estrutura. Pelas afetos produzidos ao longo de toda nossa existência, pelas escolhas que fazemos e deixamos de fazer, pela multiplicidade do discurso do outro que atua de maneira recíproca entre os interlocutores envolvidos, pela interdependência de todos os fenônemos que percebemos.
Mas isso pode deixar o leitor confuso. "Se eu sou vários sujeitos, existe algum entre eles que se sobressai em relação aos demais? Existe um sujeito-referência, em torno do qual os demais gravitariam?" Claro! O sujeito contido no discurso deste exato instante. Esse sujeito é construído a cada instante e a cada escolha. Ele é a expressão discursiva produzida pelo corpo, palavra ou mente nesse exato instante, nem antes, nem depois. De certa forma, somente ele existe (ex-sistere: ser para o outro). Os outros são (são para si). O primeiro é ontológico, os demais são ônticos.
No divã, o psicanalista interage com o sujeito da psicanálise, por meio da sua técnica. Esse sujeito é o produto daquele instante discursivo, naquele contexto. Ele é um fenômeno de natureza psicanalítica, parecido com um tricot feito a quatro mãos", uma vez que sua rede de significantes é tecida por meio do discurso de ambos, analista e analisando. Para esse sujeito não existem fórmulas prontas e soluções pré-fabricadas. Sua análise é individual e específica, pois ele é a expressão da singularidade discursiva do ser-humano singular deitado no divã naquele instante.
A riqueza do ser-humano singular está no caráter plural de suas possibilidades, pois a natureza do seu discurso revela um potencial aberto e criativo, inerente a infinitude deste instante.
Comentários
Me veio a imagem de um caleidoscópio!
No mais, há que se ter tempo para refletir.
Beijos!
Não concordo com vc apenas no que se refere ao sujeito da psicanálise,acho que no divã o analisando expões seus vários sujeitos. Sou realmente uma admiradora do seus textos, e do seu trabalho como psicanalista. Parabéns com o que tem feito com a sua singularidade.bj