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Fantasia

Essa semana, eu encontrei um aconchego, um abrigo nas minhas memórias da infância. Lembrei de uma crônica da Denise Fraga para a revista Crescer (editora Globo) em que ela fala que só quem chupou bico na infância pode entender o prazer isso. Eu não lembro da delícia de um bico, mas outras lembranças da infância me trazem um prazer inigualável, a fantasia das minhas brincadeiras... Montava uma casa inteira com livros e vasilhas de cozinha que serviam de piscina. Os personagens eram bem diversificados e faziam parte de uma estória criada pela minha imaginação. Eu passava o dia dentro de um contexto totalmente alheio ao mundo real ao meu redor. Tive uma infância maravilhosa, com muitos amigos e brincadeiras de rua, coisa que está se perdendo na sociedade atual. A violência restringe muito a liberdade das crianças, mas aquele meu mundo particular era inigualável, tinha um sabor diferente. Outro dia minha mãe comentou de forma nostálgica que eu esquecia do mundo brincando com aquelas mini...

Frida

N ão é preciso entender de arte para amar Frida Kahlo. Eu apenas admiro alguns pintores e escultores sem pretensão de ser uma grande entendedora desse tipo de trabalho. Há alguns anos, li O Diário de Frida Kahlo e por meio dele tive contato com seus quadros. Acho que me apaixonei pela sua história antes de apreciar o seu trabalho. Tive um olhar especial pra todo o sofrimento de uma vida, um acidente trágico e um amor dolorido como uma ferida exposta. Ao ler Cartas apaixonadas de Frida Kahlo, minha falta de apreço por Diego Rivera se acirrou. Como eu odiei a criatura por ser tão infielmente cruel. Chegou a se relacionar com a irmã de Frida. Como, diante de tão famigerada dor física, ela ainda se apaixonou por ele? A ssim que foi lançado no cinema, assisti Frida, não gostei, saí de lá frustrada porque não conseguiram transmitir nem um terço do tamanho sofrimento passado por ela. Anos depois, tive que encarar novamente o filme para participar de um debate promovido pela Interse...

Um pouco de mitologia

Mitologia é uma de minhas paixões, preciosa e antiga, um conhecimento que comecei a adquirir lá pelos meus 16 anos. São tantas versões que fico até com receio de ler algo novo e diferir da que conheço: a primeira versão, à qual fui apresentada e envolvida. Os deuses da mitologia grega são tão humanos que os adotamos como pessoas próximas, tão sujeitos ao nosso julgamento como parentes que fazem parte da nossa história. Assim tomamos partido de uns, odiamos e maldizemos outros. Nesta semana, tive oportunidade de ressuscitar uma questão antiga e acho que não é só minha: Perséfone realmente se apaixonou por Hades? Eu sempre defendi que sim. Um livro, A Deusa Interior de Roger J. Woolger e Jennifer Barker Woolger, caiu em minhas mãos e eu descobri que a deusa que predomina em mim é Perséfone. Logo, poderia falar dela de cadeira. De acordo com meu parecer, não há como não se apaixonar por Hades. Ele é misterioso e interessante, dono de um reino rico em símbolos espetaculares. Este r...