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CLAUDIO CARVALHO PARA JORNAL A TARDE.
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DIREITO AO PAI: PSICANÁLISE E JUSTIÇA A manhã de sol no domingo era esperada para passear na Ponta do Humaitá com minha filha Vic, às margens da Baía de Todos os Santos. Em um desses passeios, sentados nas pedras do quebra-mar, fui interpelado por Vic sobre o que ela seria quando crescesse. Surpreso com a pergunta, respondi, depois de pensar um pouco, que o que ela escolhesse para fazer seria bem feito. Ela retrucou, dizendo que eu falava aquilo porque era seu pai. Não sei se a conversa foi replicada com sua mãe, mas, certamente, e nos melhores dos casos, o diálogo seria diferente. Explico: a função de um pai, dentre outras, é a de sustentar um discurso sobre a criança diferente da fala materna a etiquetar o corpo do pequeno sujeito quando, nos primeiros cuidados, atribui, através de um empréstimo de sentido, palavras às manifestações de choro e desconforto do bebê. Essas antecipações feitas pela mãe são cruciais para a estruturação psíquica do infans (aquele que não fala), m...
A incapacidade de perceber o outro
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Em seu livro sobre ciúmes, Eduardo Ferreira Santos, psiquiatra e psicoterapeuta, fala sobre a sociedade que perdeu a capacidade de perceber o outro. Achei isso tão interessante, mas prefiro tirar o foco da sociedade e falar de pessoas e suas relações pessoais. Existe, verdadeiramente isso, há uma reclamação exaustiva de como os casais se perdem em suas relações. Pode-se dizer que este é um fato relevante, perdeu-se a capacidade de perceber o outro. Às vezes, cada um está tão envolvido em seu mundo particular que não percebe às necessidades do mundo alheio. E assim são com amigos, ou familiares, ou com pessoas próximas que resolveram tirar suas vidas..."Em que momento eu deixei de percebê-lo?" Estamos tão envolvidos em nossos mundinhos particulares que fugiu o momento de um outro mundo tão próximo e ao mesmo tempo tão distante.
Amor, paixão e solidão
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P arece que o mau da humanidade atualmente é a busca incessante pelo outro. Como diria a bossa nova: “ Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho.”Há uma incapacidade absoluta e generalizada de “estar só”. Há correntes fortíssimas que culpam os contos de fadas por inserir, desde a infância, a necessidade de uma outra pessoa que nos complete e faça-nos feliz. Ou seja, sozinhos não somos ninguém. Mas será que a culpa é mesmo dos contos de fadas? Será que o ser humano já não nasce com esta sensação de incompletude? Esta insatisfação eterna que nos obriga a buscar alguém ou algo que nos preencha? A busca do novo, a teoria da agregação, apreciação do diferente, a extensão do ser. Seja lá o que for, temos esta sensação de que ser sozinho não basta. Existe sim, no romântico, a ideia da fusão, como dois se transformando em um. Há toda uma critica em cima disso, mas adquirem-se, sim, os hábitos dos que estão ali no mesmo ambiente diariamente. Há toda uma troca dentro deste ...
Cuidar ou ser cuidado
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T enho percebido que a vida em determinados aspectos coloca-nos diante de dois caminhos. Por exemplo, nossos pais, que são nossos espelhos, nosso ponto de referência em que trabalhamos analiticamente como ponto de identificação. Muitas vezes, vemo-nos repetindo comportamentos que abominamos em nossos pais algum dia. É uma repetição de certa forma inconsciente. Nessa situação, os dois caminhos são: repetimos comportamentos familiares ou negamos completamente. Exemplo: Um pai que mente compulsivamente nas coisas mais bobas do cotidiano pode ter filhos que adoram este comportamento e repetem isso no seu dia a dia, e outros filhos que odeiam mentira e recusam-se a praticá-la mesmo que na maneira mais inocente por ter verdadeira ojeriza àquele comportamento paterno. Mas a escolha que venho desenvolver neste texto é a questão do cuidar ou ser cuidado. Pode soar radical este “ou”, mas é real. Muita gente pode falar que gosta de cuidar “E” ser cuidado, mas existe uma necessidade mais a...
AFRODITE MODERNA
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S abe-se que na mitologia grega os deuses eram movidos pelo ciúme, inveja, guerras e vinganças. Quando nos tratamos de Deus (do cristianismo) temos a imagem da pureza e do amor, mas quando nos tratamos dos deuses mitológicos estamos diante do lado mais sombrio do ser humano, longe do nossas facetas de pureza e amorosidade. Afrodite tinha inveja de Psiquê, assim como a madrasta da Branca de Neve tinha de sua enteada. Ambas queriam aniquilar suas concorrentes. Quando criança, eu tinha uma visão romântica de Afrodite: A DEUSA DO AMOR. E é assim que ela é conhecida, adorada por seus súditos. Mas o amor envolve ciúme, inveja, rancor, vingança e não foi diferente na história desta Deusa. Por inveja de psiquê, Afrodite quis matá-la. Por ironia do destino, tudo que conseguiu foi fazer com que Eros, seu filho e deus do amor, se apaixonasse por ela. Vamos abordar isso em um outro texto, hoje vou desenvolver algo sobre Afrodite. Quem são as Afrodites modernas ? Como se comporta Afrodite no mu...